Fechando a semana de Haute-Couture, a Fendi rompe com a tradição, pela primeira vez a casa não desfila em Paris, mas em Roma, cidade natal tanto da grife quanto da sua nova diretora criativa, Maria Grazia. O desfile acontece na Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea, marcando a estreia de Maria na alta-costura da maison, depois do seu debut no prêt-à-porter em fevereiro.
A historia da Fendi
Em 1918 Adele Casagrande abriu uma pequena loja de couro e peles em Roma, após se casar com Edoardo Fendi a loja passou a se chamar Fendi, a loja nasceu artesanal e familiar, focado em malas e bolsas de couro. Após a guerra as filhas do casal, entraram para o negócio nos anos 40/50, trazendo força criativa e consolidando a marca como sinônimo de bom gosto na Itália, foi pioneira no ramo da moda feminina por introduzir peles exóticas em seu portfólio, além disso foi a marca que trouxe novas técnicas no trabalho em couro.
Em 1965 Karl Lagerfeld tornou-se diretor criativo, parceria que durou mais de 50 anos, a mais longa história entre estilista e grife. Lagerfeld desenvolveu técnicas que ninguém tinha feito antes, tingimento, raspagem e a famosa técnica squirrel, cortar a pele em tiras finas e remontar em novos padrões, deixando as peças mais leves. Karl também criou o icônico logo da Fendi, o significado de “FF” é Fun Fur, pele divertida em portugues, resumindo bem a sua proposta dele de tornar a pele descontraída e não sinônimo de luxo.


A Silvia Venture Fendi, filha de Anna Fendi, se torna diretora artística de acessórios e co-designer da linha feminina junto com Lagerfeld, em 1997 cria a Baguette Bag uma das bolsas mais desejadas de todos os tempos, quebrando recorde de vendas e vira um ícone. Desde então a Fendi continua crescendo e sendo umas das marcas mais importantes, é muito conhecida pelos seus desfiles exuberantes, que misturam moda, música e arte de uma forma única e criativa.
Direção criativa atual
Em 2025 a Maria Grazia Chiuri virou Chief Creative Officer da Fendi, assumindo o cargo após a saída de Silvia Fendi da maison. Maria Grazia trabalhou em 1999 na Fendi por 10 anos como designer de acessórios, período que liderou o desenvolvimento da icônica bolsa Baguette. Diferente da era anterior, agora uma única pessoa vai trazer consistência e solidez de longo prazo para a narrativa da marca. Maria vai assinar tudo, desde a coleção prêt-a-porter até a Alta-costura.

O savoir-faire como assinatura
Historicamente, o savoir-faire sempre foi um dos pilares da identidade da Fendi. Desde sua fundação, a maison construiu sua reputação a partir da excelência artesanal e do domínio técnico de seus ateliês. Cada criação nasce de um processo que valoriza o tempo, a precisão e o trabalho manual. Elementos que permanecem cada vez mais raros dentro da indústria da moda.


Além disso, a marca tornou-se referência internacional pelo tratamento excepcional dado aos materiais nobres. Couro, peles, bordados e diferentes superfícies são trabalhados com um nível de acabamento que transforma matéria-prima em expressão artística. O resultado ultrapassa a estética. Revela conhecimento técnico transmitido entre gerações de artesãos.
Consequentemente, o desfile representa uma oportunidade para observar de perto esse patrimônio artesanal. Muito além das tendências, a passarela revela técnicas, processos e acabamentos que dificilmente podem ser reproduzidos em larga escala. São detalhes que justificam o prestígio da Alta Moda e reforçam o valor da exclusividade.
Por isso, acompanhar uma coleção da Fendi significa também reconhecer o trabalho silencioso realizado nos ateliês. Antes do brilho da passarela, existe uma dedicação quase obsessiva ao fazer manual. E é justamente essa busca permanente pela perfeição que continua definindo a verdadeira essência da maison.


Expectativa para o desfile
Inicialmente, toda apresentação da Fendi desperta atenção muito antes da primeira modelo entrar na passarela. A maison ocupa uma posição singular dentro do calendário internacional. Cada coleção representa um diálogo entre tradição, inovação e excelência artesanal. Por isso, as expectativas vão além das roupas. Elas envolvem a capacidade da marca de interpretar o momento da moda sem abrir mão de sua identidade.
Além disso, este desfile chega em um período de transformações para a indústria do luxo. Consumidores buscam peças com significado, permanência e qualidade excepcional. Ao mesmo tempo, o mercado exige propostas capazes de despertar desejo imediato. Encontrar esse equilíbrio tornou-se um dos maiores desafios das grandes maisons. E poucas marcas conseguem fazê-lo com tanta naturalidade quanto a Fendi.


Da mesma forma, especialistas aguardam sinais sobre os próximos rumos criativos da Fendi. A construção das silhuetas. A escolha dos tecidos, o desenvolvimento das texturas, a riqueza dos acabamentos. Cada detalhe funciona como uma declaração estética, nada surge por acaso. Na Haute-Couture e no luxo, toda decisão comunica uma visão criativa.
Por outro lado, também existe grande expectativa em torno dos acessórios. Historicamente, a Fendi transformou bolsas, calçados e objetos de desejo em verdadeiros ícones da indústria. Frequentemente, são essas peças que ultrapassam a passarela e definem comportamentos de consumo ao longo das próximas temporadas.
Por fim, espera-se uma coleção capaz de reafirmar a essência da maison sem recorrer à repetição. O verdadeiro luxo não está em seguir tendências. Está na habilidade de reinterpretar códigos históricos com sensibilidade, inovação e absoluta precisão.
Tendências que podem surgir
Naturalmente, cada desfile da Fendi funciona como um termômetro para a moda de luxo. Ainda que a maison preserve uma identidade muito própria, suas coleções frequentemente antecipam movimentos que influenciam outras marcas ao longo das temporadas seguintes. Por isso, cada detalhe apresentado na passarela merece atenção.
Da mesma forma, acabamentos artesanais devem ganhar ainda mais evidência. Bordados sofisticados, aplicações discretas, trabalhos tridimensionais, recortes precisos. Cada intervenção manual reforça o compromisso da maison com a excelência técnica e com a valorização do fazer artesanal.
Por fim, mais do que lançar tendências isoladas, espera-se que a Fendi apresente uma visão consistente sobre o luxo contemporâneo. Um luxo menos efêmero, mais atemporal, mais consciente e profundamente conectado à excelência artesanal, à qualidade dos materiais e o design capaz de atravessar o tempo sem perder relevância.
O desfile
Fora do calendário tradicional realizado em Paris, a apresentação em Roma também coincidiu com a exposição “After. Un Percorso di Lavoro. Fendi/Karl Lagerfeld na marca.” Dedicado ao legado de Karl na marca.
A coleção foi construída a partir de uma cartela reduzida, dominada por preto, branco, marfim e dourado suave. Vestidos de caimento fluido, casacos inspirados em quimonos, alfaiataria de linhas precisas e superfícies acetinadas conduziram a narrativa, acompanhados por rendas, transparências, veludos, cashmere dupla face e aplicações florais desenvolvidas artesanalmente.


Decotes profundos, mangas amplas e casacos de construção marcante apareceram ao lado de calças estreitas e vestidos de caimento vertical, reforçando uma silhueta alongada ao longo da coleção. Franjas, sobreposições, couro trabalhado, peles reinterpretadas em texturas leves e grafismos em preto e branco completaram a apresentação, evidenciando a pesquisa de materiais e o trabalho dos ateliês da Fendi.


Com a apresentação em Roma, a Fendi abriu a nova fase de Maria Grazia Chiuri na maison a partir de um território ligado à sua própria história, fora do circuito tradicional de Paris.

