O THE PLAZA DEIXA DE SER CENÁRIO E VIRA PARTE DA COLEÇÃO
O retorno de Tommy Hilfiger à New York Fashion Week ganha uma dimensão que ultrapassa a passarela. Para a primavera 2027, o designer escolheu o The Plaza, hotel onde viveu durante mais de uma década com sua família, como cenário para uma coleção dedicada à sua própria interpretação da cidade. O projeto parte do conceito “Prep Made Current”, expressão que resume uma atualização dos códigos clássicos do preppy americano. Assim, o desfile conecta memória pessoal, cultura nova-iorquina e uma das linguagens mais reconhecíveis da moda dos Estados Unidos.
Escolher o The Plaza não representa apenas uma decisão cenográfica.
O hotel ocupa uma posição singular na história cultural de Nova York. Localizado junto ao Central Park, tornou-se, ao longo de mais de um século, um endereço associado à alta sociedade, ao cinema, à música, à moda e ao imaginário urbano da cidade.
Para Hilfiger, entretanto, a relação é ainda mais pessoal. O designer e sua esposa, Dee, viveram ali por mais de uma década, em um duplex com vista para o Central Park. Portanto, apresentar uma coleção nesse endereço cria uma espécie de retorno biográfico.
Além disso, a escolha acompanha uma estratégia que a Tommy Hilfiger vem desenvolvendo há algumas temporadas: transformar pontos reconhecíveis de Nova York em extensões da identidade da marca.
Antes do Plaza, a etiqueta apresentou coleções em locais como o Oyster Bar da Grand Central Terminal e a bordo do MV John F. Kennedy, antiga balsa de Staten Island.
Dessa forma, a cidade não aparece apenas como inspiração. Ela funciona como matéria-prima.


“PREP MADE CURRENT” REDEFINE UM DOS MAIORES CÓDIGOS AMERICANOS
O preppy faz parte da história da Tommy Hilfiger desde sua fundação, em 1985. Entretanto, a proposta da Primavera 2027 não consiste em simplesmente recuperar o visual universitário tradicional.
A ideia “Prep Made Current” sugere outra operação: conservar os códigos e alterar sua relação com o presente.
Esse movimento interessa porque o preppy nasceu de um sistema bastante específico de referências. Uniformes universitários, clubes esportivos, Ivy League, alfaiataria americana e roupas de lazer ajudaram a formar esse vocabulário.
Hilfiger transformou esses elementos em uma linguagem global. Agora, a marca procura atualizar essa mesma gramática para uma geração que já não entende o preppy como uniforme social.
Consequentemente, o blazer pode abandonar a formalidade. A camisa pode ganhar novas proporções. O tricô pode encontrar peças esportivas. E o clássico pode adquirir uma atitude mais urbana.
A novidade, portanto, não precisa estar na peça isolada.
Ela pode estar na maneira de combiná-la.


A NOVA YORK DE TOMMY HILFIGER SEMPRE FOI A MAIS AMPLA QUE O CAMPUS
Existe uma diferença importante entre o preppy americano e a interpretação que Hilfiger construiu dele.
O designer nunca limitou sua linguagem ao universo universitário. Desde os primeiros anos da marca, ele misturou referências de música, esporte, cultura jovem e estilo de rua.
Essa característica continua relevante na Primavera 2027.
A cidade aparece como ponto de encontro entre diferentes grupos. Moda, entretenimento, esporte e cultura popular se aproximam.
Além disso, a campanha que antecede o desfile já oferece uma pista dessa estratégia. Travis Kelce, Gigi Hadid, Jisoo, Peggy Gou, Frances Tiafoe e Caramelo Anthony integram o universo da marca para a temporada. Além disso, Kelce participa do desenvolvimento de uma coleção em parceria com a Tommy Hilfiger para a Primavera 2027.
Assim, a marca amplia a definição de quem representa seu imaginário.
O preppy deixa de pertencer apenas ao estudante de uma universidade americana.
Ela passa a circular entre atletas, músicos, modelos e figuras da cultura contemporânea.


O ESPORTE GANHA IMPORTÂNCIA DENTRO DO NOVO PREPPY
Essa expansão também se conecta ao interesse histórico de Hilfiger pelo sportswear.
A marca trabalha há décadas com polos, rugby shirts, jaquetas, tênis, tricôs e outros elementos ligados ao vestuário esportivo americano. No entanto, a estratégia recente aproxima esse repertório de uma alfaiataria mais sofisticada.
A coleção Tommy Hilfiger New York, apresentada anteriormente, já explorava essa ideia ao combinar blazers com peças extremamente casuais e proporções mais relaxadas. A própria marca descreveu o movimento como uma mistura entre “heritage prep” e “new prep”.
Na primavera 2027, essa evolução ganha um contexto maior.
O esporte não aparece necessariamente como uniforme.
Ele funciona como código cultural.
Essa distinção é importante. A Tommy Hilfiger não precisa abandonar sua história esportiva para parecer contemporânea. Pelo contrário, pode utilizar essa herança para construir uma nova ideia de elegância americana.


A VOLTA AO CALENDÁRIO TAMBÉM POSSUI SIGNIFICADO ESTRATÉGICO
A presença da Tommy Hilfiger no calendário oficial da NYFW representa outro aspecto relevante.
A marca retorna à programação oficial ao lado de nomes como Monse e threeASFOUR. A temporada também reúne estreantes e designers que ampliam o espectro da moda nova-iorquina.
Nesse sentido, o retorno de Hilfiger ganha valor institucional.
A New York Fashion Week continua sendo um espaço importante para discutir o que significa moda americana. E, nesta temporada, essa discussão aparece com força entre grandes nomes históricos e novas gerações.
Por isso, Hilfiger retorna em um momento particularmente interessante.
A marca não precisa provar que conhece a linguagem americana. Ela ajudou a consolidá-la.
A questão agora é outra: como atualizar um código que já se tornou parte da memória coletiva?


MEMÓRIA E CONTEMPORANEIDADE DIVIDEM O MESMO ENDEREÇO
Talvez a escolha do The Plaza seja justamente a resposta mais eloquente.
O hotel representa uma Nova York histórica. A coleção, por sua vez, procura representar uma Nova York contemporânea.
As duas dimensões se encontram no mesmo espaço.
Além disso, a própria estratégia de Hilfiger costuma trabalhar com referências culturais reconhecíveis. A marca não trata a nostalgia como reprodução literal. Em vez disso, utiliza imagens do passado para construir novas associações.
Essa abordagem também explica a presença de figuras contemporâneas na comunicação da marca.
Travis Kelce, por exemplo, aproxima a Tommy Hilfiger do universo esportivo atual. Jisoo amplia sua conexão com a cultura pop global. Gigi Hadid reforça a relação com a moda. Peggy Gou acrescenta música e cena cultural. Já Frances Tiafoe introduz outro diálogo com o esporte.
Portanto, o elenco não funciona apenas como estratégia de celebridade.
Ele representa uma tentativa de mostrar como o universo Tommy pode circular entre diferentes comunidades culturais.



