Na quinta-feira, 3 de setembro, a designer de interiores Marli Lima apresentou seu mais novo projeto na Mostra Essenza, na Essenza Casa e Jardim. Intitulado Refúgio Sensorial, o ambiente parte de uma premissa central do trabalho da profissional: compreender as pessoas antes de definir os espaços. Assim, a arquitetura de interiores e comportamento se aproximam em uma proposta que considera rotina, personalidade e desejos como elementos fundamentais a criação.
UM OLHAR QUE COMEÇA NAS PESSOAS
Segundo Marli, sua formação em psicologia trouxe uma perspectiva particular para o exercício do design de interiores. A partir dessa experiência, a profissional desenvolveu uma metodologia que considera o indivíduo como ponto de partida.
Para ela, o projeto começa “de dentro para fora”. Primeiro, portanto, entram em cena a rotina, os comportamentos e as necessidades de quem irá ocupar o ambiente. Depois, esses elementos orientam as escolhas relacionadas à composição espacial.
Nesse processo, a casa ganha uma dimensão ligada à identidade. Segundo a designer, cada espaço deve refletir a história e a personalidade de quem o ocupa. Dessa maneira, o projeto não parte apenas de uma linguagem estética, mas também da compreensão de como as pessoas vivem.
QUANDO O AMBIENTE PASSA A SER EXPERIÊNCIA
É justamente nesse princípio que o Refúgio Sensorial encontra seu conceito. Segundo Marli, “há espaços que a gente vê e há espaços que a gente sente”. A frase sintetiza a proposta apresentada na Mostra Essenza.
Para construir essa experiência, o projeto reúne diferentes estímulos. Luz, texturas, formas e cores participam da composição. Além disso, materiais com características distintas estabelecem contrastes e criam diferentes pontos de interesse dentro do ambiente.
A materialidade ocupa, portanto, um papel importante. A pedra rústica introduz uma superfície de aparência natural. Em contraponto, os painéis de madeira acrescentam outra camada de textura e calor visual.
As curvas também assumem uma função específica. Segundo a proposta apresentada por Marli, elas suavizam a presença dos ângulos retos e rompem a sobriedade das linhas mais rígidas. Assim, o desenho do mobiliário e dos elementos arquitetônicos participa da construção da atmosfera.
UMA PALETA QUE TRABALHA COM CONTRASTE
Além dos materiais, as cores e estampas ampliam a linguagem do ambiente. O projeto combina diferentes tonalidades e padrões, criando contraste dentro da composição.
Entre os elementos desenvolvidos para o espaço está uma almofada criada especialmente para o ambiente. O detalhe reforça a atenção dedicada aos componentes têxteis, que também participam da construção sensorial proposta pela designer.
Nesse sentido, cada escolha integra uma composição maior. A madeira dialoga com a pedra. As curvas encontram as linhas retas. As diferentes cores convivem com as texturas. Enquanto isso, os tecidos acrescentam outra camada à experiência.
Segundo Marli, o objetivo consiste em criar um espaço que desperte sensações e estabeleça uma conexão com quem ocupa.
PARCERIAS QUE INTEGRAM O PROJETO
O desenvolvimento do Refúgio Sensorial também contou com parceiros de longa data da designer. A Collett Móveis participa do ambiente com os painéis de madeira. Já a Penz Revestimentos assina a pedra rústica utilizada no projeto
Além disso, a Decoraa Cortinas e Venezianas desenvolveu as cortinas e as almofadas do espaço. Dessa forma, diferentes fornecedores e especialidades contribuem para a materialização do conceito apresentado por Marli.
A colaboração, nesse caso, alcança elementos estruturais e decorativos. Portanto, materiais, revestimentos e acabamentos entram no projeto de maneira coordenada, acompanhando a proposta definida pela designer.
UM REFÚGIO PENSADO PARA SER VIVIDO
Segundo Marli Lima, o Refúgio Sensorial vai além da composição visual. A profissional concebeu o ambiente para ser vivido e, sobretudo, para despertar sensações em quem utiliza.
A proposta parte da compreensão de que um interior não se resume aos objetos que reúne. Antes disso, envolve a maneira como as pessoas circulam, permanecem e se relacionam com o espaço.
Por isso, o projeto apresentado na Mostra Essenza estabelece uma relação direta entre interiores e experiência. A formação em Psicologia aparece, assim, como parte importante do olhar da designer sobre o processo criativo.
Ao reunir pedra rústica, madeira, curvas, tecidos, cores e estampas, Marli constrói uma narrativa espacial pautada por diferentes estímulos. Entretanto, segundo a própria profissional, o ponto de partida permanece o mesmo: entender quem está do outro lado do projeto.
No Refúgio Sensorial, portanto, a criação começa antes da escolha dos materiais. Começa na escuta. Depois, transforma comportamento, rotina e identidade em decisões concretas de interiores.







