O mundo da moda amanheceu menos colorido — ou, talvez, menos “vermelho” — nesta segunda-feira. Valentino Garavani, o lendário estilista italiano que definiu o conceito de elegância e feminilidade no século XX, faleceu hoje, 19 de janeiro de 2026, aos 93 anos, em sua residência em Roma.

A notícia foi confirmada pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti. O mestre partiu cercado por seus entes queridos, deixando um vazio irreparável na Alta Costura, mas um legado que transcende o tempo.
Um Início Marcado pela Ambição
Primeiramente, é impossível falar de Valentino sem entender sua visão desde o início. Nascido em Voghera, na Itália, em 1932, ele não se contentou com as fronteiras locais. Ainda jovem, mudou-se para Paris para estudar na École des Beaux-Arts, onde refinou seu olhar técnico. No entanto, foi ao retornar a Roma, no final da década de 1950, que ele fundou sua maison e começou a escrever a história que conhecemos.
A Construção do Mito e o “Rosso Valentino”
Ao longo dos anos 60, Valentino não apenas vestiu mulheres; ele as transformou em ícones. Sua parceria de vida e negócios com Giancarlo Giammetti foi fundamental para expandir a marca globalmente. Nesse contexto, surgiu sua assinatura mais famosa: o “Rosso Valentino”.


Diferente de qualquer outro tom, o vermelho de Valentino era vibrante, dramático e, acima de tudo, poderoso. Ele acreditava que “o vermelho é a única cor que pode competir com o preto e o branco”. Essa cor tornou-se sinônimo da marca, presente em quase todas as coleções como um fio condutor de paixão e glamour.
Vestindo a História
Além disso, o impacto de Valentino foi cultural. Ele vestiu as mulheres mais influentes do mundo, de estrelas de Hollywood a realeza.


- Jacqueline Kennedy casou-se com Aristóteles Onassis usando um vestido da coleção “branca” de Valentino (1968), um momento que consolidou seu status global.
- Atrizes como Elizabeth Taylor, Sophia Loren e Julia Roberts (que recebeu seu Oscar usando um Valentino vintage) ajudaram a eternizar suas criações nos tapetes vermelhos.



O Adeus às Passarelas, Mas Não à Moda
Em 2008, Valentino anunciou sua aposentadoria com um desfile emocionante em Paris, documentado no filme “Valentino: O Último Imperador”. Embora tenha deixado a direção criativa, sua influência permaneceu intacta. Consequentemente, os diretores que o sucederam — como Pierpaolo Piccioli e, mais recentemente, Alessandro Michele — tiveram a missão de manter vivo o DNA de luxo absoluto, laços e volumes românticos que ele criou.


Um Legado Eterno
Em suma, Valentino Garavani não foi apenas um estilista; ele foi o guardião de uma beleza que parecia não pertencer a este mundo, feita de sonhos, chiffon e perfeição técnica. Hoje, enquanto Roma e o mundo se despedem, fica a certeza de que, enquanto houver alguém buscando a beleza suprema em um vestido, o “Imperador” estará presente.



