Desde sua estreia no Royal Box, em 2011, Kate Middleton transformou Wimbledon em um dos momentos mais aguardados do calendário da moda britânica. Como patrona do All England Lawn Tennis and Croquet Club desde 2016, a princesa desenvolveu uma identidade visual que dialoga com a tradição do torneio sem abrir mão da contemporaneidade.

A elegância como tradição
Seus looks transitam entre alfaiataria refinada, vestidos de linhas clássicas e referências discretas ao universo do tênis, consolidando um guarda-roupa que se tornou objeto de estudo da imprensa especializada. Não por acaso, a British Vogue define suas aparições em quatro grandes códigos: os tons de branco inspirados nas quadras, os vestidos de poá, os tradicionais verdes de Wimbledon e, ocasionalmente, produções que rompem com esse repertório.
A primeira aparição
Para sua primeira vez no Royal Box, poucos meses após o casamento com o príncipe William, Kate escolheu o vestido Moraiah, da Temperley London. A peça branca tinha três camadas de babados plissados e alças bordadas à mão. Além disso, a própria marca a descreveu como uma versão mais sofisticada de um vestido de tênis. O look marcou o início do chamado “Kate Effect” em Wimbledon. Como resultado, o vestido esgotou cerca de 30 minutos após a aparição da princesa.


Alexander McQueen em 2012
O vestido utilizado por Kate em 2012 é assinado por Sarah Burton para Alexander McQueen, a mesma dupla criativa por trás do vestido de noiva dela em 2011. O vestido de tricot cor creme, estilo sailor, tinha detalhes náuticos, como a gola bib com laço e acabamentos azul nas mangas.


Jenny Packham em 2018
A peça sob medida de Jenny Packham reforçou a longa parceria entre a princesa e a estilista. O vestido tinha mangas curtas e detalhes de babados nos ombros e na cintura. Além disso, foi escolhido para a final feminina de Wimbledon. Na ocasião, Kate e Meghan Markle fizeram sua primeira aparição pública juntas sem os maridos. O momento ganhou grande repercussão na imprensa. Principalmente pelo simbolismo dos bastidores da família real. Para muitos, a imagem representava Kate acolhendo Meghan em sua nova fase como integrante da realeza.


Dolce & Gabanna em 2019
Em 2019, Kate voltou a usar um vestido verde da Dolce & Gabbana. A peça tem modelagem ajustada ao corpo, botões dourados e laço na gola. No entanto, essa não foi sua primeira aparição com o modelo. Kate já havia usado o vestido em 2016. A escolha reforçou um dos traços mais marcantes de seu estilo: reutilizar peças do guarda-roupa em compromissos públicos. Um hábito que se tornou parte de sua identidade e de sua visão de elegância atemporal.


Alessandra Rich em 2022
Em 2022, Kate escolheu um vestido midi em tons de azul e branco com estampa de poá, marcado na cintura por um cinto que valorizava a silhueta. Para complementar a produção, apostou na bolsa branca Amberley Small, da Mulberry, reforçando a elegância clássica do visual. Além disso, o look foi apontado pela imprensa internacional como uma das grandes referências do verão, ajudando a consolidar o poá como a estampa da temporada, impulsionado justamente pela influência de Kate Middleton.


Roksanda em 2022
Em 2022 Kate usou um vestido amarelo da marca britânica Roksanda, o modelo original não apresenta mangas, mas o de Kate foi customizado com mangas curtas e um cinto na cintura. Kate já havia usado esse vestido em outro momento no mesmo ano, em uma viagem para Jamaica. Reforçando a imagem de Kate como sustentável e econômica com o guarda-roupa, um pilar recorrente da narrativa de mídia sobre ela.


Alessandra Rich em 2022
Posteriormente, a princesa escolheu um vestido com estampa de poá de Alessandra Rich, reafirmando um dos elementos mais recorrentes de seu estilo. A modelagem inspirada na década de 1980, com gola estruturada e mangas levemente volumosas, evocava referências vintage sem parecer datada. Além disso, a estampa dialogava perfeitamente com a atmosfera tradicional de Wimbledon. Foi uma produção que demonstrou como códigos históricos podem permanecer atuais quando executados com precisão.


Self Portrait em 2023
Kate Middleton escolheu um vestido verde-claro assinado pela Self-Portrait, traduzindo uma elegância leve e contemporânea. A peça combinava corpete de linhas bem definidas, cintura marcada e uma saia plissada de caimento fluido, que conferia movimento à silhueta. Ao mesmo tempo, a tonalidade suave dialogava com a atmosfera de verão de Wimbledon, reforçando uma estética fresca e refinada. O resultado foi uma produção equilibrada, feminina e atemporal, que se tornou uma das mais memoráveis de sua trajetória no torneio.


Safiyaa em 2024
Em 2024, Kate apostou em um vestido sob medida da marca Safiyaa, no modelo Cecilia, em um elegante tom de roxo real. Com comprimento midi e drapeados no busto, a peça repercutiu amplamente e gerou cerca de US$ 4,8 milhões em valor de exposição de mídia para a grife britânica. Além disso, essa foi a segunda aparição pública da princesa em 2024, após o diagnóstico de câncer revelado em março, e sua primeira presença em Wimbledon desde 2023. Ao chegar ao Royal Box, Kate foi recebida com uma emocionante ovação de pé, tornando o momento ainda mais marcante.


Gabriela Hearst em 2026
Kate Middleton surpreendeu ao substituir os tradicionais vestidos por um conjunto de Alfaiataria assinado por Gabriela Hearst. Em azul-cornflower, o blazer estruturado e a calça de corte preciso traduziram uma elegância moderna, sem romper com o protocolo do Royal Box. Além disso, a escolha reforçou a crescente valorização da alfaiataria feminina no guarda-roupa da princesa. O visual equilibrou autoridade, leveza e sofisticação, consolidando-se como um dos momentos mais marcantes de Wimbldedon 2026.


Passados treze anos desde o seu debut em 2011, o guarda-roupa de Kate Middleton em Wimbledon deixou de ser apenas uma sequência de vestidos bem escolhidos e passou a ser um registro paralelo de sua trajetória dentro da família real. Afinal, o padrão que conecta esses treze anos não é estético, é estratégico. Kate raramente escolhe uma peça sem propósito, já que costuma usar cores associadas ao torneio e, assim, transforma cada escolha em mensagem, seja de resiliência, de continuidade ou de proximidade com o público. Dessa forma, Wimbledon se consolidou como uma das poucas vitrines onde é possível acompanhar, ano a ano, como a moda real deixou de ser acessório e passou a ser ferramenta de comunicação.

