Em junho de 2025, o mundo da moda testemunhou uma das movimentações mais significativas dos últimos anos: Jonathan Anderson, o estilista norte-irlandês de 40 anos, foi oficialmente nomeado diretor criativo da Christian Dior.
“Sempre fui inspirado pela rica história desta Maison… estou ansioso para criar o próximo capítulo desta história incrível”, disse Anderson ao comentar sua nomeação.
Uma trajetória global: de Magherafelt a Paris
Nascido em Magherafelt, na Irlanda do Norte, em 1984, Jonathan cresceu entre experiências contrastantes: da turbulência sociopolítica local ao tempo passado com sua família em Ibiza, na Espanha, elementos que, segundo ele, moldaram sua visão criativa desde cedo.
Originalmente interessado em atuar, ele chegou a estudar na Juilliard School em Nova York com foco em atuação antes de descobrir sua verdadeira paixão: o design. De volta ao Reino Unido, Anderson acabou se graduando no London College of Fashion em 2005, deixando para trás o sonho das artes cênicas e abraçando o mundo da moda.
JW Anderson: o início da marca própria

Em 2008, Anderson lançou sua marca homônima, JW Anderson, rapidamente ganhando destaque por seu olhar único e propositalmente pouco convencional. Com coleções que flertavam com o experimental e o conceitual, a marca conquistou tanto o público quanto a crítica, resultando em convites para apresentar na London Fashion Week e parcerias de peso.
Ao longo dos anos, JW Anderson consolidou sua estética pessoal: uma fusão de masculinidade e feminilidade, tradição e irreverência, com peças que brincam com proporções, materiais e referências culturais.
Loewe: onde a genialidade encontrou escala

Em 2013, Anderson entrou para o grupo LVMH e foi nomeado diretor criativo da casa espanhola Loewe, onde permaneceu por mais de uma década. Foi um período que transformou a marca em um símbolo de inovação e desejo no universo do luxo.

Durante seu comando em Loewe, ele foi responsável por criativos ícones de culto, como a Puzzle Bag, bolsa que se tornou uma das mais reverenciadas da década, além de coleções surpreendentes com elementos lúdicos (incluindo peças surrealistas e imaginativas).
Anderson também expandiu sua prática além das passarelas, incluindo parcerias culturais, projetos artísticos e até figurinos para cinema, como para filmes de Luca Guadagnino, reforçando sua posição como um dos designers mais interessantes de sua geração.
Chegada à Dior: um novo capítulo
A nomeação de Anderson para liderar a Dior materializa uma tendência clara na moda de luxo: os grandes conglomerados estão apostando em criadores com visão disruptiva e alcance global.
Na Dior, ele substituiu dois dos grandes nomes que comandavam a maison — Maria Grazia Chiuri (feminino) e Kim Jones (masculino), reunindo todas as linhas sob sua direção.
Os executivos da Dior e do grupo LVMH descrevem Anderson como um talento singular, capaz de respeitar os códigos centenários da marca ao mesmo tempo em que traz um frescor moderno e inesperado para a Maison.
Um olhar sobre seu impacto
O estilo de Anderson, muitas vezes descrito como intuitivo, conceitual e culturalmente relevante, já havia deixado sua marca no cenário da moda global. Sua abordagem única, que mistura tradição e transgressão, pode ser exatamente o que a Dior busca num momento em que o setor de luxo enfrenta desafios de crescimento e necessidade de inovação.
Além disso, sua atuação nas mídias sociais e presença em campanhas icônicas ajudaram a democratizar o desejo por peças de luxo, conectando audiências jovens e diversificadas com as coleções tradicionais.

