Fundada em 1982, a maison Jean Paul Gaultier rapidamente conquistou um lugar singular na moda internacional. Desde o início, seu fundador, Gaultier, propôs uma nova forma de pensar na Alta-Costura. Em vez de seguir convenções, transformou a criatividade em sua principal assinatura.

Ao longo das décadas, a marca ficou conhecida por desafiar padrões estéticos e ampliar os limites da moda. Corsets reinterpretados, referências ao universo náutico, alfaiataria desconstruída e o diálogo entre o masculino e o feminino tornaram-se códigos permanentes da maison. Assim, cada coleção passou a expressar uma visão ousada, sem abrir mão da excelência técnica.
Outro aspecto que consolidou sua relevância foi a capacidade de unir irreverência e refinamento. Enquanto explorava proporções inesperadas e narrativas provocativas, a maison preservava o rigor da Alta-Costura por meio de modelagem precisa, acabamentos impecáveis e um trabalho artesanal de excelência.
Em 2020, Jean Paul Gaultier anunciou sua despedida das passarelas após cinco décadas de carreira. No entanto, em vez de encerrar um ciclo, a maison inaugurou uma nova fase. Desde então, cada coleção de Alta-Costura é assinada por um diretor criativo convidado, convidando diferentes olhares a reinterpretar o universo criado pelo estilista francês. Dessa forma, a marca preserva sua identidade enquanto permanece em constante transformação.


Direção criativa da temporada
Para a coleção Haute Couture Inverno 2026/27, a direção criativa ficou a cargo de Duran Lantink, reconhecido por sua abordagem experimental e por desafiar as convenções da moda contemporânea. Lantink é o primeiro diretor criativo permanente após a saída de Jean Paul Gaultier.
Conhecido por explorar volumes inesperados, reconstruções e novas proporções, Lantink desenvolve um trabalho que equilibra inovação e técnica. Ao mesmo tempo, sua visão criativa dialoga com a liberdade estética que sempre definiu a maison, estabelecendo uma conexão natural entre passado e presente.
Mais do que reproduzir códigos já conhecidos, o estilista propõe uma leitura contemporânea da Alta-Costura. Assim, a expectativa para esta temporada concentra-se na maneira como elementos icônicos da marca serão revisitados sob uma nova perspectiva, preservando sua essência e, ao mesmo tempo, apontando novos caminhos para a criação.
A coleção
Entre o orgânico e o escultural, a Gaultier redesenhou o corpo para a sua coleção Haute-Couture Outono 2026 em Paris, Duran Lanlink é o primeiro diretor criativo permanente da casa desde a saído do próprio Gaultier em 2020, com sua estreia na alta-costura Duran traz a passarela formas orgânicas emergindo dessa estrutura rígida, com distorções exageradas que se afastam do corpo. Assim, as formas orgânicas, bem como a assinatura de Duran, se inserem no vocabulário da casa.
As cores que marcam a coleção são preto, branco e cinza como base da paleta, trazendo também um toque de cor com roxo, azul turquesa, rosa e dourado. Nas texturas houve mistura de texturas, plumas, plissados e materiais mais estruturados dividiram espaço. Reforçando o contraste entre rigor e excesso que marca a coleção como um todo.
A alfaiataria segue como base da coleção, remetendo à trajetória da própria casa, historicamente construída sobre o terno reinventado e a silhueta ampulheta. O espartilho, outro código central da Gaultier desde os anos 80, aparece revisitado nas estruturas que marcam a cintura, agora combinado às distorções orgânicas que Duran introduz como assinatura própria.
Essa é a primeira coleção de couture assinada por Duran para a casa, antes ele já havia apresentado duas coleções de prêt-à-porter. A estreia marca também um momento simbólico: desde a saída de Gaultier em 2020, a casa vinha revezando estilistas convidados a cada temporada na alta-costura; agora, pela primeira vez, um único diretor criativo assume a assinatura de forma permanente.
O impacto da coleção
Sobretudo, a coleção reafirma a força da Alta-Costura como espaço de experimentação e expressão artística. mais do que apresentar roupas, o desfile propõe uma reflexão sobre identidade, memória e transformação.
Além disso, a temporada amplia o legado de Jean Paul Gaultier ao reinterpretar códigos históricos sob uma perspectiva contemporânea. Silhuetas icônicas, referências ao universo couture e construções ousadas surgem renovadas, sem perder a essência irreverente da maison.
Ao mesmo tempo, a coleção evidencia que a Alta-Costura continua sendo um território onde criatividade e excelência técnica coexistem. Cada look revela um equilíbrio preciso entre inovação, savoir-faire e impacto visual.
Por fim, o desfile consolida mais um capítulo marcante na história da marca. Ao unir teatralidade, refinamento e execução impecável, a coleção reforça a relevância de Jean Paul Gaultier no cenário da moda internacional e demonstra que a Alta-Costura permanece como uma das mais poderosas formas de expressão da criação contemporânea.

