O que a silhueta diz sobre o estilo e o tempo?
A silhueta da moda é, indiscutivelmente, um dos fundamentos essenciais do design. Basicamente, ela define como o corpo ocupa o espaço, de que maneira o tecido se relaciona com o movimento e, principalmente, como cada época construiu sua própria ideia de elegância, funcionalidade ou poder.
Ao analisarmos a história, percebemos que cada forma responde diretamente a um contexto social, técnico e cultural. Por exemplo, podemos observar desde a linha reta e libertadora dos anos 1920 até as estruturas marcadas e rígidas do pós-guerra.
Um repertório de formas clássicas
Neste guia, reunimos as silhuetas clássicas mais impactantes, observando não apenas suas origens e transformações, mas também sua permanência no vocabulário contemporâneo.
Portanto, este é um repertório criado para ajudar você a entender como o desenho do corpo segue sendo um dos pilares centrais da linguagem da moda.
Guia de Silhuetas: As Formas Definidoras
Silhueta Coluna
Também conhecida como tubular ou H-line, a silhueta Coluna é a epítome do minimalismo e da verticalidade. Historicamente, ela ganhou força na década de 1920, quando a moda se libertou dos espartilhos vitorianos em favor de uma estética mais fluida e andrógina. O foco aqui não é marcar a cintura, mas sim alongar o corpo visualmente. Atualmente, continua sendo sinônimo de sofisticação moderna e elegância sem esforço.


Silhueta Ampulheta
Esta é, provavelmente, a forma mais celebrada na história da moda ocidental. Caracterizada por ombros e quadris equilibrados com uma cintura marcadamente definida, a silhueta Ampulheta evoca a feminilidade clássica. Ela foi imortalizada pelo New Look de Christian Dior em 1947, que redefiniu o pós-guerra com luxo e curvas. Ainda hoje, permanece como o padrão de referência para a alfaiataria que busca valorizar o contorno corporal.


Silhueta A-Line (Evasê)
A silhueta em “A”, ou Trapeze, é definida por ser mais ajustada nos ombros e se abrir gradualmente em direção à barra, sem marcar a cintura. Originalmente introduzida por Christian Dior em meados dos anos 50 e popularizada por Yves Saint Laurent, ela se tornou um símbolo de juventude e liberdade na década de 1960. Além disso, é uma das formas mais democráticas da moda, pois equilibra proporções e oferece conforto sem perder a estrutura.


Silhueta Balão
Escultural e dramática, a silhueta Balão (ou Bubble) brinca com o volume de maneira arquitetônica. Ela se concentra em criar formas arredondadas, geralmente na saia ou nas mangas, que se estreitam nas extremidades. Muitas vezes associada à alta-costura de Cristóbal Balenciaga, essa forma exige tecidos com estrutura, como tafetá ou gazar. No cenário contemporâneo, ela ressurge periodicamente como uma afirmação de estilo avant-garde.


Silhueta Sereia
Sinônimo absoluto de glamour e red carpet, a silhueta Sereia abraça o corpo desde o busto até os joelhos (ou meio da coxa), abrindo-se dramaticamente na base. Por ser uma forma que restringe o movimento em prol da estética, ela é quase exclusiva da moda festa e noiva. Seu objetivo é claro: celebrar as curvas com máxima intensidade e impacto visual.


Silhueta Oversized
Mais do que apenas roupas largas, o Oversized é uma silhueta que propõe uma nova relação entre o corpo e o tecido, onde o conforto e o “desleixo calculado” são protagonistas. Embora tenha raízes no power dressing dos anos 80 e na cultura hip-hop dos anos 90, a versão atual é refinada e intencional. Neste caso, o volume é usado para criar uma estética urbana, desconstruída e agênero.


Silhueta Peplum
O Peplum não é apenas um detalhe, mas uma construção que altera a silhueta ao adicionar um volume extra (um babado ou sobressaia) na região da cintura ou quadril. Historicamente, teve grandes momentos na década de 1940 e, mais recentemente, nos anos 2010. Sua função principal é acentuar a diferença entre a cintura e o quadril, criando uma ilusão de ótica que remete à forma de ampulheta, mas com um toque arquitetônico.



