Gisele Bündchen não é apenas uma modelo é um marco na história da moda. Naturalmente, a gaúcha começou a desfilar ainda adolescente e, em poucos anos, virou o nome mais cobiçado das passarelas internacionais, estampando campanhas, capas e desfiles das maiores marcas do mundo.
O FIM DA ERA WAIF
Nos anos 90, o padrão de beleza era nomeado de heroin chic. Rostos pálidos, corpos extremamente magros, olhar cansado, uma estética consolidada por modelos como Kate Moss, que dominou as passarelas, editoriais e campanhas ao longo da década. Era uma moda que rejeitava o glamour tradicional em favor de algo mais cru, quase desleixado.
Nesse cenário, Gisele Bündchen estourou no fim dos anos 1990. Aos 19 anos, levou às passarelas uma presença diferente: atlética, bronzeada e cheia de energia, destoando do padrão da época. Rapidamente, a imprensa identificou essa mudança, que ficou conhecida como o “retorno do corpo sexy”, marcando o fim da era waif nas passarelas.


Não foi uma mudança discreta. Em poucos anos, Gisele se tornou o rosto mais cobiçado da moda internacional. Com isso, a indústria trocou o corpo frágil e o olhar distante por uma imagem mais vibrante, saudável e glamourosa. Essa transformação, por sua vez, definiu a estética das passarelas nos anos 2000 e carrega o nome dela até hoje.
O CORPO BRASILEIRO COMO PADRÃO
Antes de Gisele, a moda internacional era ditada majoritariamente por modelos europeias e americanas. Nesse contexto, esse era o padrão que definia campanhas, capas e passarelas. Com a ascensão de Gisele, no fim dos anos 1990, essa lógica mudou: pela primeira vez, uma modelo brasileira se tornou o nome mais cobiçado da indústria, não como exceção, mas como referência central de beleza.
No entanto, o impacto foi além da carreira individual. Gisele abriu caminho para uma geração de modelos, como Adriana Lima, Alessandra Ambrosio e Isabeli Fontana, consolidando o Brasil como um dos principais polos de modelos do mundo. Como resultado, o termo “modelo brasileira” passou a ter um peso próprio no mercado internacional, associado a um corpo atlético, pele bronzeada e uma energia marcante, características que Gisele Bündchen tornou desejáveis em escala global.


Assim, a moda viveu uma virada geográfica e cultural. A beleza deixou de ser ditada apenas pelos eixos tradicionais e passou a incorporar, de forma central, um padrão vindo da América do Sul.
O PADRÃO VICTORIA SECRETS
A entrada da Gisele na Victoria’s Secret marcou um dos capítulos mais importantes de sua carreira. Em 2000, ela assinou um contrato exclusivo que, na época, foi considerado um dos mais valiosos da história da moda. A parceria consolidou sua projeção internacional e redefiniu a imagem da própria marca.
Nas passarelas dos famosos Fashion Shows, Gisele apresentou uma feminilidade diferente daquela que dominava a década anterior. Seu andar confiante, a postura impecável e o carisma diante das câmeras ajudaram a estabelecer um novo padrão para as chamadas “Angels”. A partir daquele momento, a sensualidade passou a caminhar lado a lado com força, presença e personalidade.
Seu impacto foi tão significativo que diversas modelos passaram a ser comparadas diretamente à brasileira. A chamada “era das Angels” atingiu seu auge enquanto Gisele Bündchen ocupava posição central na marca. Mais do que vestir asas, ela ajudou a definir o perfil da mulher que a Victoria ‘s Secret desejava representar no início do século XXI. Um legado que permanece como uma das referências mais influentes da história recente da moda.


A CRIAÇÃO DA SUPER MODELO COMO CELEBRIDADE
Antes de Gisele, o Universo das modelos já havia conhecido grandes estrelas. Nomes como Cindy Crawford, Naomi Campbell e Claudia Schiffer dominaram os anos 1980 e 1990. No entanto, Gisele ajudou a inaugurar uma nova etapa dessa trajetória. Ela deixou de ser apenas uma modelo reconhecida para se tornar uma figura de interesse global.
Sua vida passou a ocupar espaço constante na imprensa internacional. Relacionamentos, entrevistas, causas ambientais e escolhas profissionais despertavam tanta atenção quanto seus desfiles. Ao mesmo tempo, manteve uma imagem cuidadosamente construída, distante de escândalos e fortemente associada à disciplina, ao bem-estar e ao profissionalismo. Essa combinação transformou sua influência em algo muito maior do que moda.


Com isso, consolidou um modelo que hoje parece natural, mas que ainda estava em formação no início dos anos 2000: o da supermodelo que também é empresária, comunicadora e personalidade pública. sua carreira demonstrou que uma modelo poderia ocupar o mesmo espaço de relevância cultural às grandes celebridades do entretenimento.
DE MODELO A MARCA BILIONÁRIA
Gisele não ficou apenas nas passarelas: além disso, transformou a própria carreira em um negócio. Nos anos 2000, consolidou contratos milionários com grandes marcas e se tornou, por vários anos consecutivos, a modelo mais bem paga do mundo, segundo a Forbes, à frente de qualquer outra colega de profissão. No entanto, seu diferencial não estava apenas no alto cachê, mas na forma como geriu a própria imagem como um ativo de longo prazo.
Ao mesmo tempo, expandiu sua atuação para além dos desfiles, investindo em linhas de produtos próprios, parcerias estratégicas de longa duração, investimentos e, mais recentemente, em uma marca de bem-estar e produtos naturais. Dessa forma, Gisele tratou a própria carreira como uma empresa, com posicionamento, consistência de imagem e visão de longo prazo, muito antes de esse tipo de gestão se tornar padrão entre celebridades e influenciadores.
Como consequência, esse modelo de “modelo-empresária” tornou-se referência para as gerações seguintes. Hoje, é comum ver supermodelos e celebridades tratando a própria imagem como uma marca. No entanto, Gisele Bündchen foi uma das primeiras a fazer isso de forma tão deliberada e bem-sucedida, ainda nos anos 2000.


Mais de 25 anos depois de sua estreia, Gisele segue como uma das maiores referências da moda. Recentemente, voltou a estampar a capa da W Magazine após quase duas décadas de ausência. Agora, com a modelo completando 46 anos nesta segunda-feira, 20 de julho, vale revisitar como ela moldou a indústria da moda durante o auge de sua carreira.

