O ESPAÇO
A arquiteta Robertha Silveira, do Ser Arquitetura e Alma, apresenta na CASACOR o ambiente “Estar Entre Livros”. O projeto propõe uma reflexão sobre a maneira como vivemos e sobre a influência da casa na construção de quem somos. Dessa forma, para desenvolver essa ideia, Robertha reúne arquitetura, mobiliário, objetos e referências pessoais em uma composição pensada para a permanência.
Segundo a arquiteta, cada escolha do ambiente parte da intenção de criar uma atmosfera que incentive novas formas de estar em casa. Móveis, tecidos e texturas participam dessa construção. Ao mesmo tempo, a organização do espaço privilegia momentos de convivência, leitura e interação.


A ESTANTE COMO PONTO DE PARTIDA
As estantes ocupam o eixo central de “Estar Entre Livros”. Para Robertha, elas não servem apenas para acomodar livros. O projeto também utiliza esse elemento para reunir objetos associados a diferentes memórias.
Livros e peças pessoais convivem no mesmo espaço. Dessa forma, a arquiteta estabelece uma relação entre aquilo que se lê, aquilo que se guarda e aquilo que acompanha a trajetória de cada pessoa.
Além disso, Robertha incorpora ao ambiente itens de seu próprio acervo. Um dos exemplos é uma cadeira de balanço herdada de sua bisavó. A peça introduz uma referência familiar dentro do projeto e aproxima diferentes momentos de sua história.
Segundo ela, a proposta não consiste em olhar para o passado apenas com nostalgia. A reflexão está, sobretudo, naquilo que ainda faz sentido levar para o presente. Assim, objetos antigos encontram novas possibilidades de interpretação dentro de uma composição contemporânea.


MEMÓRIA INCORPORADA AO COTIDIANO
A presença de peças pessoais também interfere na relação entre decoração e memória. No projeto de Robertha, os objetos não aparecem isoladamente. Eles integram a organização do ambiente e convivem com elementos escolhidos para a mostra.
Nesse sentido, a arquiteta trabalha com diferentes camadas temporais. Peças novas dividem espaço com itens que já fazem parte de sua história. A combinação permite que referências pessoais participem da composição sem retirar do ambiente sua funcionalidade.
Para Robertha, essa relação entre passado e presente contribui para pensar a casa como um espaço em constante transformação. As escolhas que permanecem ganham novos significados conforme encontram outros contextos e formas de uso.


ESPAÇOS PARA PERMANECER
Além da leitura, o ambiente foi planejado para estimular a convivência. Os móveis selecionados pela curadoria da Sieve integram essa proposta e ajudam a organizar áreas destinadas a diferentes atividades.
Conversar, jogar e estar em família aparecem entre as possibilidades consideradas pela arquiteta. Por isso, a disposição das peças busca favorecer a interação entre as pessoas.
A mesa de madeira em duas tonalidades exemplifica essa intenção. Sobre ela, um jogo de xadrez cria uma possibilidade de interação e acrescenta uma atividade ao espaço. Além disso, o elemento também reforça a ideia de que o mobiliário pode participar das experiências que acontecem dentro da casa.
Segundo Robertha, cada escolha do projeto procura incentivar uma relação mais próxima com o ambiente. Assim, o espaço não se estrutura apenas a partir de sua aparência. A arquiteta considera também que os hábitos e as relações que podem surgir a partir dele.


A ESTREIA DA SIEVE
“Estar Entre Livros” integra a estreia da Sieve na CASACOR. A marca de mobiliário de alto padrão apresentou dois ambientes na mostra, ambos assinados por arquitetas parceiras. A curadoria ficou a cargo de Jordana Gobbi Viezzer.
No projeto de Robertha, a seleção de mobiliário acompanha a proposta definida para o ambiente. As peças integram os diferentes espaços destinados à leitura , à convivência e à permanência.
Ao desenvolver “Estar Entre Livros”, Robertha parte, portanto, de uma questão central: como os elementos que escolhemos para a nossa casa participam da maneira como vivemos nela? A resposta aparece na combinação entre livros, objetos pessoais, mobiliário e espaços pensados para a convivência.
Então, para a arquiteta, a casa não se resume aos objetos que reúne. Ela também envolve os hábitos, os vínculos e as experiências que acontecem diariamente. É a partir dessa perspectiva que “Estar Entre Livros” constrói sua proposta dentro da CASACOR.



