21 de Janeiro: O dia em que a alta-costura nasceu duas vezes
Se a astrologia da moda existe, o dia 21 de janeiro é, indiscutivelmente, seu feriado maior. Curiosamente, separados por uma década e por fronteiras — um na austera costa espanhola, o outro na burguesia francesa —, Cristóbal Balenciaga e Christian Dior cresceram para se tornarem os dois pilares que sustentaram a elegância do século XX.


Balenciaga nasceu em 1895. Exatamente dez anos depois, em 1905, nascia Dior. Enquanto um construía catedrais de tecido, o outro devolvia o sonho e o romance às mulheres. Neste artigo, celebramos a trajetória desses dois gigantes que, apesar de possuírem filosofias opostas, compartilhavam a mesma obsessão pela perfeição.
Cristóbal Balenciaga: O Arquiteto do Silêncio
Dizia-se em Paris que “Dior é o único que faz o que pode com o tecido; Balenciaga faz o que quer”. O espanhol de Guetaria não era apenas um estilista; era um técnico e um costureiro no sentido mais puro da palavra.
A Trajetória: Fugindo da Guerra Civil Espanhola, Balenciaga chegou a Paris para impor um estilo que desafiava a gravidade. Ao contrário de muitos contemporâneos, ele era avesso à imprensa e deixava suas roupas falarem por si.


O Legado: Atualmente, se vestimos silhuetas oversized, casacos cocoon ou golas afastadas, devemos a ele. Balenciaga libertou o corpo feminino da exigência da cintura marcada, inventando uma elegância arquitetônica que, ainda hoje, parece futurista.
Christian Dior: O Cavalheiro dos Sonhos
Por outro lado, se Balenciaga era o arquiteto, Dior era o romântico. Em 1947, após os anos cinzentos da Segunda Guerra, ele chocou o mundo com sua primeira coleção, imortalizada como o New Look.
A Trajetória: Dior queria ser arquiteto, mas encontrou na moda sua expressão. Ele entendia o desejo feminino como poucos e, em suma, construiu um império global em apenas uma década de carreira.


O Legado: O New Look foi um movimento cultural. A cintura de vespa e as saias amplas trouxeram de volta o otimismo. Além disso, ele foi pioneiro no licenciamento da marca, transformando seu nome em sinônimo mundial de status.
O encontro de legados na moda contemporânea
É fascinante pensar como, na década de 1950, o mundo se dividia entre esses dois aniversariantes de janeiro. Quem buscava a fantasia, ia para a Dior. Entretanto, quem buscava a modernidade e a distinção intelectual, vestia Balenciaga.


Hoje, as maisons que levam seus nomes continuam no topo do luxo, reinterpretando os códigos de seus fundadores. Portanto, todo dia 21 de janeiro, a moda deve fazer um brinde aos homens que nos ensinaram a sonhar com a roupa.

