No universo da moda, onde tradição e inovação caminham lado a lado, poucos nomes conseguem equilibrar esses dois polos com tanta precisão quanto Matthieu Blazy.
Discreto, técnico e profundamente comprometido com o fazer manual, o estilista francês se consolidou como uma das mentes mais respeitadas de sua geração. Agora, mostra o seu talento à frente de uma das maisons mais famosas do mundo: a Chanel.
A seguir, conheça a trajetória de Matthieu Blazy até a direção criativa da grife:
Das origens à formação: o início de uma trajetória silenciosa
Nascido em Paris, Matthieu Blazy cresceu cercado por referências culturais que, mais tarde, se refletiriam em sua abordagem sofisticada e intelectual da moda.
Formado pela prestigiada La Cambre, em Bruxelas, uma escola conhecida por formar designers conceituais, Blazy desenvolveu desde cedo uma relação quase obsessiva com construção, matéria e técnica.
Diferente de muitos estilistas que despontam com uma assinatura estética imediata, sua carreira foi construída nos bastidores, lapidando habilidades em algumas das maisons mais influentes do mundo.
A escola dos mestres
Antes de alcançar o estrelato, Blazy passou por casas que definiram o luxo contemporâneo. Trabalhou ao lado de Raf Simons, absorvendo o rigor minimalista e a sensibilidade artística. Também integrou a equipe da Maison Margiela durante a era de Martin Margiela, onde o experimentalismo e a desconstrução moldaram sua visão sobre o vestir.
Na Celine, sob a direção de Phoebe Philo, aprofundou sua compreensão do guarda-roupa feminino moderno: funcional, elegante e emocionalmente inteligente. Mais tarde, colaborou com Calvin Klein, novamente ao lado de Raf Simons, reforçando sua habilidade de traduzir conceitos em peças desejáveis.
Bottega Veneta: o reconhecimento global

Mas foi à frente da Bottega Veneta que Matthieu Blazy finalmente ganhou protagonismo. Inicialmente atuando nos bastidores durante a era de Daniel Lee, ele assumiu a direção criativa em um momento delicado para a marca, e rapidamente redefiniu sua identidade.
Sua abordagem combinava excelência artesanal com inovação quase imperceptível. Tecidos que pareciam couro, mas eram algodão. Silhuetas clássicas com construções surpreendentes. Tudo cuidadosamente pensado para criar desejo sem recorrer ao óbvio.
Blazy trouxe de volta a ideia de luxo silencioso, onde o valor está no detalhe e na execução, e não na ostentação.
Chanel: tradição sob uma nova lente
Ao assumir a direção criativa da Chanel, Matthieu Blazy entra para um seleto grupo de designers responsáveis por reinterpretar um dos maiores legados da moda. Mais do que criar coleções, sua missão é dialogar com códigos históricos, como o tweed, as pérolas, o preto e branco, e projetá-los para o futuro.
O estilista francês estreou oficialmente na maison com sua primeira coleção de inverno 25/26 em 6 de outubro de 2025, durante a Paris Fashion Week
Sua nomeação sinalizou uma possível mudança de tom: menos espetáculo, mais substância. Menos excesso, mais precisão. Em vez de rupturas bruscas, espera-se uma evolução cuidadosa, onde o savoir-faire da maison seja não apenas preservado, mas elevado a novos patamares.
O estilo Blazy: entre o invisível e o extraordinário

O que define Matthieu Blazy não é uma estética facilmente reconhecível, mas sim uma filosofia. Seu trabalho valoriza o invisível, as camadas internas de uma peça, a escolha dos materiais, o tempo dedicado à construção.
Em um momento em que a moda frequentemente se rende ao imediatismo das redes sociais, Blazy propõe um olhar mais lento, quase contemplativo. Suas criações convidam à aproximação, ao toque, à descoberta.
O futuro da Chanel
Ainda que o futuro sob sua direção permaneça em aberto, uma coisa é certa: Matthieu Blazy não é um estilista de gestos vazios. Sua Chanel tende a ser construída com intenção, respeito e uma dose precisa de inovação.
Se a maison fundada por Gabrielle “Coco” Chanel sempre representou liberdade e modernidade, nas mãos de Blazy ela pode reencontrar sua essência de forma ainda mais sofisticada: silenciosa, porém profundamente impactante.
Em um cenário de constantes transformações, Matthieu Blazy surge como um criador que não busca apenas acompanhar o tempo, mas compreendê-lo em profundidade e, a partir disso, moldar o que vem a seguir.

