A camélia na Chanel é muito mais do que uma flor; ela é um dos códigos visuais mais antigos e consistentes da marca, mantendo-se presente e relevante desde o início do século XX até as passarelas atuais.
Um Código Fundador
Primeiramente, é preciso voltar ao início do século XX, quando Gabrielle Chanel incorporou a camélia à sua imagem pessoal. Por volta de 1913, em Deauville, a estilista foi vista com a flor branca presa ao cinto. Esse gesto, aparentemente simples, marcou o início de um símbolo que atravessaria toda a história da Maison.


De Deauville ao Imaginário Chanel
Por ser de origem asiática, ligada à China e ao Japão, a camélia apresenta características únicas: forma gráfica, pétalas simétricas e, sobretudo, ausência de perfume. Nesse sentido, essas particularidades permitiam uma presença visual marcante sem nenhuma interferência sensorial, o que era ideal para não competir com o icônico perfume No.5. Além disso, a flor conecta-se profundamente ao repertório cultural de Chanel, associado à obra La Dame aux Camélias, de Alexandre Dumas Filho.


Forma, Silêncio e Controle Visual
Ao longo das décadas, a camélia Chanel ganhou presença em diversas categorias do universo da marca. Ela foi utilizada em acessórios, bordados, chapéus, roupas e metais de joalheria. Consequentemente, a flor apareceu em versões de seda, broches, colares e anéis, sendo reinterpretada em materiais e proporções variadas. Dessa forma, assumiu um papel central tanto em coleções de alta joalheria quanto em peças prêt-à-porter.




Do Detalhe à Cena Principal
Posteriormente, sob a direção criativa de Karl Lagerfeld, a camélia deixou de ser apenas um detalhe para ocupar o centro da cena. Por exemplo, nos vestidos de noiva da Haute Couture 2005 (tanto no Outono-Inverno quanto na Primavera-Verão), Karl encerrou os desfiles com noivas vestidas integralmente por camélias. Com isso, ele reforçou o motivo como um dos códigos estruturais indispensáveis da marca.


Quando a Camélia Vira Cenário
Em momentos pontuais, a camélia na Chanel expandiu-se ainda mais, ocupando o próprio espaço físico dos desfiles. No Ready-to-Wear Outono-Inverno 2014/15, ainda sob a batuta de Lagerfeld, a flor surgiu como uma escultura monumental no centro da passarela. Já no Outono-Inverno 2023/24, com Virginie Viard, a camélia apareceu ampliada graficamente como pano de fundo, atuando como um poderoso cenário visual.


Continuidade e Futuro da Maison
Em suma, mais do que uma flor, a camélia permaneceu como um código interno da maison, atravessando épocas e direções criativas com a mesma clareza formal de sua origem. Presente durante o período de Virginie Viard, o motivo segue ativo também com o novo diretor criativo, Matthieu Blazy*, que já incorporou a camélia em suas propostas como parte da continuidade visual e simbólica da marca.



