HISTÓRIA DA MARCA
Em 1917 uma das marcas mais relevantes no mundo da moda foi fundada, levando o nome completo de Cristóbal Balenciaga. Ensinado pela sua mãe a costurar, Cristóbal mostrou-se talentoso desde criança, iniciou no ramo da moda trabalhando no Palácio Aldamar para uma influente senhora na época, esse período foi tão fundamental para a vida do estilista que hoje em dia o museu Cristobal Balenciaga está acoplado ao Palácio de Aldamar. Foi nesse ambiente que começou a desenvolver o rigor técnico e a excelência de execução que, mais tarde, se tornariam marcas registradas de seu trabalho e um dos pilares da maison.
Aos 22 anos Cristobal decidiu abrir seu primeiro ateliê na Espanha. Influenciado diretamente pela França, Cristobal viajava, comprava modelos e levava ao seu atelier para analisar a construção de cada modelo. Ele não tinha só olhos para a capital da moda, também ficava atento no Japão e na China, o que certamente influenciou a sua silhueta mais solta no corpo, além da alfaiataria inglesa.

Em 1937 em função da Guerra Civil Espanhola ele deixa o país e abre no mesmo ano a Casa Balenciaga na luxuosa Avenida George V. Ao longo da década de 1950 a 1960 viveu a sua época de ouro, com criações que marcaram a sua carreira. A Balloon Jacket que formava um desenho esférico na parte de cima do corpo. Em 1955, ele criou o vestido túnica, liberando a cintura e os movimentos da mulher. Em 1957 revolucionou o mercado introduzindo o vestido saco, trazendo mais liberdade para as mulheres que cada vez mais precisavam trabalhar fora de casa.
O legado de Cristóbal Balenciaga segue até hoje. Christian Dior chamava-o de “o mestre de todos”, Coco Chanel afirmava que ele era um dos únicos costureiros autênticos, pois tinha um controle da peça, desde o desenvolvimento do tecido até o corte e costura. Essa busca incansável pela excelência de execução tornou-se um dos pilares da maison e permanece como uma característica essencial de sua identidade, atravessando gerações e influenciando a Alta-Costura contemporânea.


BALENCIAGA E O LEGADO NA ALTA-COSTURA
Poucas maisons exercem uma influência tão profunda sobre a história da moda quanto a balenciaga. A marca consolidou um legado que ultrapassa tendências e permanece como uma das maiores referências da Alta-Costura.
Desde o início, Cristóbal Balenciaga transformou a construção das roupas em uma verdadeira expressão de arte. Em vez de seguir os padrões da época, desenvolveu novas proporções, redefiniu volumes e apresentou uma abordagem inovadora para a silhueta feminina. Como resultado, conquistou o reconhecimento da indústria e o respeito de alguns dos maiores nomes da moda.


Ao longo das décadas, a maison preservou esse compromisso com a excelência. Cada coleção reafirma a importância da modelagem precisa, dos acabamentos impecáveis e da pesquisa criativa. Ao mesmo tempo, demonstra que tradição e inovação podem coexistir de forma harmoniosa.
Outro elemento essencial de seu legado é o domínio do savoir-faire. Por trás de cada criação existe um trabalho artesanal minucioso, no qual cada costura, cada tecido e cada detalhe são cuidadosamente executados. Assim, a técnica torna-se tão relevante quanto a estética.
Além disso, a Balenciaga sempre desafiou as convenções da moda. Em diferentes momentos de sua história, a maison apresentou novas interpretações para a alfaiataria, explorou formas arquitetônicas e propôs uma visão contemporânea do luxo. Consequentemente, consolidou-se como uma das marcas mais influentes da moda internacional.
Hoje, mais de um século após sua fundação, a Balenciaga continua ocupando um lugar de destaque na Alta-Costura. Seu legado permanece vivo não apenas pela força de sua história, mas, sobretudo, pela capacidade de reinventar a elegância sem abrir mão da excelência que definiu a maison desde sua origem.
O DESFILE
A estreia de Pierpaolo Piccioli na Haute-Couture 2026 marcou um novo início para a maison, a coleção revisitou o legado de Cristóbal Balenciaga, sem romper a sua essência, é seu primeiro desfile de alta costura desde que chegou a casa em 2025. Apresentada na Cour d´Honneur da Cité Internationale Universitaire de Paris, a cartela de cores reforçou essa tensão entre disciplina e sensorialidade: preto, branco, marfim e areia como base estrutural, contrastando com verde-esmeralda, azul turquesa, vermelho, rosa, fúcsia e variações de roxo. Uma paleta que ele já vinha explorando desde a estreia na casa, com a coleção prêt-a-porter, cores vibrantes apreciam contra um espaço minimalista. Mais do que um releitura do arquivo da marca, a coleção reafirmou o compromisso da Balenciaga com a excelência de execução, traduzida na precisão da modelagem, na construção das formas e refinamento de cada detalhe.
Anok Yai, que abriu e fechou o desfile, retornou como noiva no final da coleção, um vestido branco com grandes proporções envolto de plumas, um dos elementos recorrentes da apresentação. Volumes escultóricos, silhuetas arquitetônicas, alfaiataria precisa e construções que valorizam a forma aparecem sob uma nova interpretação. Gigi Hadid completou o casting com um look de linhas minimalistas combinado a um volumoso casaco de plumas.
Enfim, para encerrar o desfile, Piccioli repetiu um gesto que já tinha incorporado na sua trajetória na Valentino, entrar na passarela acompanhado pelas equipes do atelier dividindo aplausos com quem executa as peças. Afinal, é um discurso que ele vem sustentando na prática desde que assumiu a maison, o de que alta-costura é, antes de tudo, um trabalho coletivo, e que o nome do criador não deveria apagar as mãos que constroem a peça.


OS DETALHES QUE MARCARA A COLEÇÃO
Entre os elementos que definiram a coleção, a alfaiataria voltou a ocupar um lugar central. Casacos de construção impecável, ombros estruturados e silhuetas precisas reafirmam a técnica do ateliê, enquanto proporções ampliadas surgiram de forma mais refinada e menos provocativa. O rigor da modelagem dividiu espaço com volumes escultóricos, criando um equilíbrio entre força e elegância.
Em seguida, a pesquisa de materiais evidenciou o domínio da maison sobre diferentes técnicas de confecção. Lãs, couros, cetins e tecidos tecnológicos foram trabalhados lado a lado, explorando contrastes de peso, textura e caimento. Superfícies acetinadas refletiam a luz de maneira discreta, enquanto acabamentos foscos reforçavam a sobriedade da coleção. Cada escolha de matéria-prima contribuiu para uma narrativa de sofisticação silenciosa.
Os drapeados também tiveram papel importante. A excelência de execução, surgiu em vestidos e casacos, criando volumes orgânicos e uma sensação quase escultural. Mais do que um recurso estético, funcionaram como demonstração de savoir-faire da Alta-Costura, evidenciando horas de trabalho manual e domínio técnico.
Nos detalhes, a coleção revelou uma sofisticação contida. Bordados apareceram de forma pontual, privilegiando o impacto da construção em vez de ornamentação excessiva. Aplicações delicadas, acabamentos invisíveis e costuras minuciosas reforçaram a ideia de luxo contemporâneo: aquele que se percebe na execução, e não na ostentação.


Por fim, a coleção reafirmou um dos maiores diferenciais da Balenciaga: a capacidade de transformar a técnica em linguagem criativa. Cada detalhe, da precisão da alfaiataria aos volumes cuidadosamente calculados, da seleção dos materiais aos acabamentos quase imperceptíveis, demonstrou que, nesta temporada, o verdadeiro espetáculo estava na excelência da execução e na sofisticação dos gestos silenciosos da Alta-Costura.

