Crédito das fotos: Pinterest
Poucos nomes na moda despertam tanta reverência quanto Manolo Blahnik. Mais do que um designer de calçados, ele se tornou um símbolo de elegância, artesania e longevidade criativa.

Mas engana-se quem pensa que Manolo, um designer de renome dentro do universo dos sapatos, se deixa conduzir pelos ciclos da moda. Em entrevista a um portal inglês, foi categórico: “não sigo a moda de jeito nenhum. Não gosto de moda. Se vejo alguma tendência, faço o contrário”. Para ele, permanecer relevante é quase um milagre dentro da própria indústria que está muito conectada às tendências da vez.
Descubra com a gente um pouco mais da trajetória e carreira desse importante nome do universo dos sapatos.
Origens improváveis, vocação inevitável

Manolo Blahnik nasceu em 1942, nas Ilhas Canárias, filho de pai tcheco e mãe espanhola. Foi ela quem despertou seu fascínio por sapatos, improvisando modelos com rendas, papéis e tecidos quando ele ainda era criança. Essa influência inicial foi decisiva para sua carreira futura.
E uma curiosidade: quando criança, Manolo fazia sapatos para lagartos com embalagens de chocolate.
Antes de se dedicar à moda, estudou Direito e Literatura em Genebra, além de Cenografia em Paris. Esse olhar multidisciplinar, que mistura arte, cultura e narrativa se tornaria uma de suas marcas registradas.
O encontro que mudou tudo
O ponto de virada aconteceu em 1968, quando Manolo apresentou alguns de seus desenhos à lendária Diana Vreeland, então editora da Vogue americana. O conselho foi direto e definitivo: “Faça sapatos”, contrariando o desejo do jovem designer em trabalhar com cenografia.
A partir dali, Blahnik mudou-se para Londres, onde abriu sua primeira loja em 1971. Em um momento em que plataformas e excessos dominavam a moda, ele seguiu o caminho oposto: silhuetas delicadas, salto fino, linhas precisas e atenção obsessiva aos detalhes.
Artesanato como luxo
Em um setor cada vez mais industrializado, Manolo Blahnik sempre defendeu o trabalho artesanal. Até hoje, muitos de seus modelos são produzidos manualmente, com o próprio designer envolvido no processo criativo, seja desenhando à mão, ajustando formas ou escolhendo materiais.
Essa dedicação explica por que seus sapatos atravessam décadas sem parecer datados. Eles não seguem tendências de forma literal, criam um vocabulário próprio.
Cultura pop e consagração global

Embora respeitado há décadas no circuito fashion, Manolo Blahnik alcançou um novo patamar de fama nos anos 1990, especialmente após se tornar uma referência recorrente na série Sex and the City. Mais do que um produto de luxo, seus sapatos passaram a representar independência, desejo e identidade feminina.
Importante notar que Blahnik nunca reposicionou sua marca para agradar à cultura pop, mas foi a cultura pop que se adaptou ao seu universo.
Muito além de um sapato

A trajetória de Manolo Blahnik é, acima de tudo, a história de alguém que transformou um objeto cotidiano em uma forma de arte. Em um mundo movido pela velocidade, sua obra lembra que estilo não se mede por tendências, mas por consistência, paixão e respeito ao ofício.
Manolo não cria apenas sapatos. Ele cria desejos que resistem ao tempo.

