Brigitte Bardot morreu hoje, aos 91 anos, encerrando uma trajetória que atravessou cinema, moda e comportamento e marcou de forma definitiva o século XX. Após redefinir a imagem feminina nos anos 1950 e 1960, abandonou o cinema ainda jovem e escolheu uma vida fora da exposição midiática. Desde então, dedicou-se integral e publicamente à proteção dos animais, afastando-se da indústria cultural que ajudou a transformar.
ORIGEM, DISCIPLINA E CONSTRUÇÃO DO CORPO
Brigitte Bardot nasceu em Paris, em 1934. Criada em uma família de classe média alta, teve formação rígida e estudou balé clássico desde a infância. A disciplina da dança marcou sua postura corporal e a relação com o próprio corpo, elementos que mais tarde se tornariam centrais em sua imagem pública.


O CINEMA COMO RUPTURA DE PADRÕES
A carreira começou cedo, primeiro como modelo e, em seguida, no cinema francês dos anos 1950. O reconhecimento internacional veio em 1956 com o filme Et Dieu… créa la femme, dirigido por Roger Vadim. A obra rompeu padrões morais da época e projetou Bardot como símbolo de uma nova feminilidade, associada à liberdade, à juventude e à exposição do corpo, distante do formalismo do cinema clássico.


CONSAGRAÇÃO INTERNACIONAL E IMAGEM PÚBLICA
Ao longo das décadas de 1950 e 1960, consolidou presença constante no cinema europeu e internacional. Atuou em mais de 40 filmes, trabalhou com diretores como Jean-Luc Godard e Henri-Georges Clouzot e construiu uma imagem baseada na naturalidade, na sensualidade e no afastamento das convenções sociais. Paralelamente, desenvolveu carreira musical, com canções que circularam amplamente na França e fora dela.

MODA, COMPORTAMENTO E VIDA FORA DO PALCO
Fora das telas, influenciou a moda e o comportamento. O uso do biquíni, os cabelos soltos, o delineador marcado e um modo de vestir sem rigidez ajudaram a redefinir a estética feminina no pós-guerra. Saint-Tropez tornou-se extensão de sua imagem, associada a um estilo de vida ligado ao lazer, ao mar e à informalidade.


ASSINATURAS VISUAIS E COERÊNCIA DE ESTILO
No vestuário, seu estilo se construiu por repetição e coerência. A franja reta tornou-se assinatura visual, enquadrando o rosto e reforçando uma imagem direta. Vestidos de algodão, tecidos leves, padronagens vichy, listras e referências náuticas apareciam com frequência, assim como sapatilhas, sandálias baixas e, muitas vezes, pés descalços fora de cena.





O DECOTE BARDOT E A RELAÇÃO COM O CORPO
O decote que leva seu nome, com ombros à mostra, consolidou-se como extensão dessa forma de vestir, ligada ao corpo em movimento mais do que à estrutura da roupa. O guarda-roupa dialogava com o balé, com o verão e com a recusa dos códigos rígidos da alta-costura parisiense.

A SAÍDA DE CENA E O ATIVISMO ANIMAL
Em 1973, aos 39 anos, decidiu abandonar o cinema e a vida pública ligada ao entretenimento. A partir de então, passou a dedicar sua vida à proteção dos animais. Em 1986, fundou a Fundação Brigitte Bardot, voltada à defesa dos direitos dos animais, com campanhas contra maus-tratos, caça, tráfico, experimentação e uso de peles. Desde esse período, sua atuação se concentra no ativismo, afastada da indústria cultural que ajudou a transformar.






